O mês mais esperado

Mandar o Seu Luí­s limpar o quintal, fazer as compras da ceia, ligar pra saber o horário do vôo da Raquel e... Quem vai buscar? Quem vai estar em casa? A empregada vai poder vir? Não é melhor comprar outro armário pra ela ter mais espaço? E o sofá? Não é melhor deixar a reforma de lado e comprar outro também? Tá... tá... Mas a cômoda eu já comprei. E a revisão do carro dela? Almoço pra comemorar a chegada dela e mais 4 aniversários? Mas não é muita gente pra agradar de uma vez só, não? O que vamos fazer? O que precisa comprar? E as bebidas? Quem vai ao sí­tio essa semana? Etc. Etc.

Dezembro aqui é assim, o clima de festas chega no primeiro dia do mês. O festival gastronômico é organizado: o cronograma é pra antes, durante e depois das festas. Os dias perdem aquilo que os caracterizam como sendo "comuns" e todo dia é dia de partilhar e celebrar. A casa fica mais cheia, mais colorida e repleta de sons diferentes.

A magia do Natal se foi já há algum tempo, mas reconheço que um dos meus maiores medos, daqui a alguns anos, é passar essa época do ano em frente à tevê assistindo a um filme bobo e me entupindo de alguma porcaria que nem de longe lembre a ceia que minha avô e minha mãe preparam. Posso até imaginar altas doses de melancolia na cena e pra "fechar a tampa" só mesmo uma chuva forte caindo lá fora, já que neve (por aqui) nunca se viu.



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