Dois mil e cinco (2 + 0 + 0 + 5= 7) é ímpar
a primeira segunda (3) do ano também


Minha tia-madrinha, seu marido e meu primo gaúcho chegaram ao Rio no úlltimo dia 17; não por acaso, um dia depois da data do último post desse blog. Eles voltam para casa hoje e os dias-que-não-estão-apenas-no-calendário, com eles, se despedem.

Com a ausência deles, começamos o novo ano voltando a rotina de comportamentos e gestos desatentos uns com outros. E se eles vão embora, eu - depois de passar a tarde peneirando, editando e identificando mais de 800 fotos para eles levarem - posso sentar aqui e tentar racionalizar os nãos-sentimentos e os pensamentos que me foram alimentados das mais diversas formas nos últimos dias do ano que passou.

Sendo assim, passo por cima do balanço que se faz ao final de cada ano e digo que dois mil e cinco chegou sem bolas decorando a casa, sem resoluções de fim-de-ano, sem euforia, sem morteiros acendidos pelo meu tio, sem sentimento de renovação pairando no ar, sem excitação e sem os fogos de artifício do condomínio dos "pseudobacanas" aqui em frente. Um ano que começou desprovido da importância desmedida que eu dava ao mês de janeiro por ser o primeiro de um ano inteiro, que começou sem recortes de quadrinhos do jornal, da charge do dia com o tema do ano novo ou da data impressa do primeiro dia do ano para colar na agenda; porque mesmo não fazendo coisas assim desde a época da aborrecência, é como se - metaforicamente - somente agora eu deixasse de fazer em definitivo.

Não foi nada parecido com o "hoje-é-um-novo-dia-de-um-novo-tempo-que começou" porque assim como em Copa, como na Barra ou em qualquer outro lugar desta cidade, a festa aqui já foi mais empolgante e emocionante. Não se enganem, não foi uma noite triste ou melancólica! Foi um momento agradável em família acompanhado de um bom champagne e de uma ceia deliciosa...É só que, talvez, eu não me confira mais àquela obrigação de ser feliz no ano que começa ou de "dar certo na vida" nos próximos trezentos e poucos novos dias. Desisti de seguir os ritos da convenção porque não sei identificar momentos assim no mundo real. Ser feliz? "Dar certo na vida" ? Como acontece? Que fatores determinam o sucesso de um ou o insucesso do outro? Eles existem de fato ou são apenas desfechos de histórias fictícias? Parece tão fácil identificar momentos assim nas "últimas semanas" da novela das oito; afinal a personalidade, as características e a história de vida das personagens estão fechadas àquela altura. Na vida real é mais dificultoso quando não se sabe ao certo quem se é, que rumo se deve tomar e coisas do tipo, bem próprias da "crise-dos-vinte-e-poucos-anos".

A verdade é que sempre deixo opções em aberto e por muitas vezes, acabo por parar no meio do cruzamento com medo de pegar uma das direções a minha frente e por lá fico um tempo que parece a eternidade. Como, dessa maneira, me obrigar (mais uma vez) a cumprir resoluções ou promessas de sempre? Como ficar eufórica diante de um novo ano se emudeço diante da possibilidade de tudo permanecer como sempre esteve no final dele?
Depois de tanta pergunta por mera retórica, o final de ano é, quase sempre, a chance de recomeçar aquilo que nunca começamos de fato. E, sinceramente, eu não sei se quero levar à sério ou ir até o fim nas coisas que hoje eu não dou mais a importância de antes.

xxx

Estava um tanto alcoolizada, mas lembro-me de receber algumas felicitações de Ano Novo acompanhadas de um "Que você consiga um bom trabalho em 2005!" ou algo assim.
E, bem, começar a pagar as próprias contas não seria nada mal.



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