VINTE E SEIS
(Ah! Esses dias em abril ... )

Faz quase duas semanas e ainda posso sentir toda vibração boa da qual sou acometida todas as vezes que faço aniversário. O dia-não-comum nascendo, o novo ano astral chegando, os telefonemas, as pessoas, o clima, a alegria, as bebidinhas, as conversas, os mimos, os presentinhos, as flores, o bolo de chocolate... Enfim, é tudo muito irresistível.

Já não espero o nove de abril com aquela ansiedade infantil de anos atrás, mas confesso que não consigo fazer de conta que é um dia como outro qualquer. Não dá pra parecer blasé diante da data e muito menos esconder idade. O dia é meu e é uma felicidade só. Declarações explícitas de amor e carinho ainda que com data marcada fazem muito bem pra alma e eu agradeço.

Foi bem bacana e, sobretudo teve um gosto diferente porque reuni os amigos no bar do meu tio e passamos muitas horas divertidas lá dentro. E teve também um gosto especial porque eu torci a semana inteira para Dona Neuzinha ter alta e ela teve: um dia antes do sábado mais gostoso do ano!

É, os dias que antecederam o tal sábado foram bem "estranhos", mesmo com meu avô e meu irmão fazendo aniversário um depois do outro, minha avó continuava no hospital e só isso importava. Veja bem, Dona Neuzinha estava começando a se refazer de uma cirurgia cardíaca (quatro safeninhas), e um mês depois teve que correr pro hospital às pressas para operar a vesícula. Foi um baque e tanto, o emocional de todo mundo lá no pé e ela demorando a sair do CTI, coisas desse tipo... Visitas diárias ao hospital e eu chegava em casa exausta.

Então o meu dia chegou também com essa tranqüilidade para todos nós, teve um quê de alívio geral porque a dona do pedaço tinha voltado pro seu pedaço. Melhor presente que eu poderia ter ganho.

Comemoramos o sábado inteiro! Pena (?) ter prova no domingo (MULTIRIO), fato que acabou me colocando na cama meio cedo. Muito vira, revira, insônia na cama, o dia amanheceu e lá fui eu pra Uerj fazer a bendita prova. A Uerj éum caso a parte, né? Nunca havia entrado lá. É que estudei na FACHA (cujas salas de aula eram ex-dormitórios de freiras) e por ter estudado lá, achei tudo muito grande, cinza, escuro, claustrofóbico mesmo. O pátio, o estacionamento gigante, os elevadores que mais pareciam de carga de tão imensos, aqueles corredores enormes, as salas com uma numeração absurda de alta, sem falar nas rampas que te levam pra um andar acima ou abaixo... Não sei se era o excesso de álcool do dia anterior ou a noite mal dormida, mas tinha vertigens toda vez que me atrevia a olhar (ainda que fosse pro horizonte) toda vez que passava por uma delas.

Um amigo que fez Uerj, certa vez me disse que nos últimos andares existiam grades nas janelas porque o índice de suicídio era grande. Não pude comprovar se era brincadeira ou verdade porque no andar em que fiquei décimo primeiro, não havia vestígios das ditas.

Provinha fácil, provinha entregue e caminho de casa porque a família se reunia na varanda acompanhada de peixe assado com molho de camarão e vinho. Muito vinho. Sim, sim. A comemoração continuava e dessa vez com a presença de Seu Alberto.

O melhor do bônus é a sensação de que fica depois, os detalhes só servem para colocar no blog e para se perderem nas minhas lembranças. Olhar pra trás e ver, através da trilha sonora preferida (PDS SEMPRE) a menina que eu fui, ou aquela que ainda vejo mesmo que de relance no espelho, ver de que maneira essa menina influencia a vida dos que ama, ver, ver, ver... Apenas ver, perceber. É no meu aniversário que encaro essas questões de forma serena e talvez daívenha o motivo para eu gostar tanto do nove de abril. É simples. Não é apenas um reencontro com as pessoas, é um reencontro com as várias meninas que eu fui.

Esta Tarde - Paralamas.



Site Meter